| O que sabemos sobre
Leonora Smith
Em 1999 comemoramos o centenário do Colégio Metodista de Ribeirão Preto. Como parte
das atividades festivas, organizamos um histórico da instituição,
traduzido em um livro, cujo título "Cem anos de ensino
metodista no nordeste paulista", reflete um esforço
em sintetizar as diversas etapas pelas quais passou a escola. Contudo,
nesse livro, faltou reiterar aspectos biográfico de sua fundadora,
tarefa que se tornou um tanto quanto árdua pela escassez
de documentação. Passado um ano, continuamos a buscar
informações sobre Leonora Smith, com o intuito de
enriquecer o histórico dessa valorizada missionária
e educadora. Todas as tentativas em acrescentar novos dados em sua
biografia não alcançaram o êxito desejado. Diante
das dificuldades encontradas, procuramos dar uma organizada nas
informações que temos em mãos, uma certa seqüência
em indícios presentes na literatura sobre a história
do metodismo brasileiro, com a intenção em dar uma
maior visibilidade à trajetória dessa mestra. De uma
nota aqui, outra acolá, apresentamos esse pequeno esboço
biográfico.
1 - Em 1868, Leonora Dixon Smith chegou ao Brasil com sua família,
fixando residência em Santa Bárbara do Oeste, SP. Segundo
relato do próprio punho, nessa época ela tinha seis
anos:
"O primeiro desembarque
foi em 1868, em companhia de meus pais - Thomas Dixon Smith
e Elizabeth Carlton Kidd Smith e minha irmã Laura Adella,
quase três anos mais moça que eu (isto é,
da idade de três anos incompletos)”.
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Entre 1868 e 1880, muitos fazendeiros do Sul dos
Estados Unidos imigraram para o Brasil, pois estavam descontentes
com o desfecho da Guerra Civil (1861-1865), onde a escravatura foi
abolida e suas propriedades destruídas pelas constantes batalhas.
Thomas Dixon Smith era comerciante e pertencia às Lojas Maçônicas,
estabelecendo-se na então Vila de Santa de Santa Bárbara.
Peri Mesquida aponta que a maçonaria foi um fator de aglutinação
de imigrantes norte-americanos naquela região, e entre eles
estava o pai de Leonora Smith:
"Entretanto, um
outro fator contribuiu para a aproximação desses
dois grupos: os fazendeiros e os intelectuais do Oeste Paulista,
bem como os líderes dos grupos de imigrantes norte-americanos,
eram maçons: W. H. Norris, Robert Norris, J. Domm,
T. D. Smith, Manoel de Moraes Barros, Rangel Pestana, Saldanha
Marinho, Souza Queiroz e outros. Todos falavam a mesma "linguagem"
e possuíam, portanto, os mesmos símbolos de
expressão" .
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2 - Em 1871, Leonora Smith, juntamente com sua família,
esteve presente no culto de fundação da primeira Igreja Metodista
no Brasil, na cidade de Saltinho, SP, localizada entre as cidades
de Americana e Santa Bárbara do Oeste. O reverendo Kennedy notificou
que na liderença desse evento estava o pastor Newman e indicou ainda
que nessa oportunidade Leonora Smith fez sua profissão de fé:
"No terceiro Domingo
de agosto de 1871, organizou a primeira Igreja Metodista,
formada após 23 anos de silêncio por parte dos
metodistas, a qual constava das seguintes nove pessoas: Reverendo
J. E. Newman e esposa, Mary A. Newman; A . I . Smith e esposa,
Sara J. Smith; Richard Carlton e esposa, Cintia Carlton; T.
D. Smith e esposa; e Miss Leonora Smith, filha dessa último
casal e que fez profissão de fé poucas semanas
depois" .
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3 - Por mais alguns anos a família de Leonora
Smith continuou residindo em Santa Bárbara do Oeste. Em 1879,
mudaram-se para Piracicaba, SP. Narrando essa mudança, Leonora
ainda destacou conhecer o pastor que iria organizar a Igreja Metodista
de Ribeirão Preto, em 1896:
"Em 1879, mudamos
para Piracicaba. Foi durante ess ano, quando as Misses Newman
dirigiam, no Bairro Alto, uma escola dominical, que funcionava
nos domingos à tarde, em casa dos crentes, que fiquei
conhecendo o menino Manoel de Camargo, aluno crente e muito
assíduo”.
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4 - Em 1883, período em que desenvolvia intenso
trabalho na Igreja Metodista de Piracicaba, Leonora Smith foi para
o Rio de Janeiro, para realizar os estudos secundários no
Colégio Progresso, como indicou o reverendo Kennedy:
"... Miss Leonora
Smith, depois de alguns estudos feitos no 'Colégio
Progresso', que será mencionado logo adiante, encaminhou-se
para os Estados Unidos, onde se formou no 'Alabama College
for Women... " .
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5 - Em 1884, Leonora Smith partiu para os Estados
Unidos, para fazer o curso superior, retornando para o Brasil em
1896, como indica sua própria narrativa:
"Durante os doze
anos de minha ausência (1884-1896), houve grande mudança
em tudo; notavam-se muitos melhoramentos e progressos”.
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6 - Em 1896, quando retornou dos Estados Unidos,
Leonora Smith passou a desempenhar atividades docentes no Colégio
Piracicabano. Em 1898, chegou a estar em sua direção,
como informa o reverendo Kennedy:
"Em 1898, no fim
de três anos, Miss Moore retornou aos Estados Unidos,
deixando a escola entregue à direção
de Miss Leonora Smith. Em meados desse ano ficou muito prejudicada
a saúde de Miss Smith. O trabalho para ela tornou-se
pesado demais e Miss L.A . Stradley foi transferida de Petrópolis
para ajudá-la" .
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7 - Em 1899, Leonora Smith recebeu a autorização
para abrir uma escola em Ribeirão Preto. Chegando nessa cidade
no fim de agosto, passou alguns dias na residência de Jovelino
de Camargo, do pastor da igreja local. No dia 5 de setembro inaugurou
a escola com nove alunos .
8 - Da fundação a setembro de 1902, Leonora Smith
esteve na direção do Colégio Metodista de Ribeirão
Preto. Nesses três anos, o número de alunos saltou
de 9 para 60. No final de 1902 viajou para os Estados Unidos..
9 - No início de 1905, Leonora Smith voltou dos Estados Unidos,
reassumindo a direção da escola de Ribeirão
Preto. Até o final de 1906 ela assinou, enquanto diretora,
os relatórios enviados a Associação de Mulheres
do Tennesse. No ano de 1907, seu nome não aparece mais nos
relatórios, indicando sua retirada da escola..
10 - Pouca coisa sabemos da vida da fundadora do Colégio
Metodista de Ribeirão Preto a partir de 1907. Na carta sem
data que enviou dos Estados Unidos, narrando a fundação
do Colégio Metodista de Ribeirão Preto, algumas informações
foram indiciadas: estava residindo em Montgomery, estado do Alabama
e assinava o sobrenome Meriwether, denotando estar casada. Alunos
autores relatam as atividades da família Meriwether na região
de Santa Bárbara do Oeste e Piracicaba, no final do século
XIX.
Judith Mac Knight, por exemplo, faz a seguinte constatação
sobre o Major Robert Meriwether, imigrado para o Brasil em 1865:
"Enquanto isso, o Coronel Norris já estava estabelecido
nas redondezas de Santa Bárbara, o Major Meriwether já
havia comprado terras na mesma zona e havia algumas famílias
americana na cidade de Campinas. Os primeiros missionários
protestantes já haviam começado a chegar ao Brasil
e naturalmente foram se encaminhando para as zonas onde era
mais fácil encontrar patrícios seus”.
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Segundo essa autora, a Major Meriwether tinha quatro
filhos do primeiro casamento: Willian Henry, Joseph Nicholas, Daniel
Milton e Carolyn. Do segundo casamento nasceu o filho Robert . .
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